quinta-feira, 24 de abril de 2008

Participação no Congresso Internacional de Árbitros de Futebol - (São Paulo - Brazil) 2006


















A convite do SAFESP – Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de São Paulo – Brasil, realizou-se no Hotel Novotel, entre 5 a 8 de Janeiro de 2006, o Congresso Internacional dos Árbitros de Futebol, na qual foi possível reunir cerca de 132 participantes, sendo dentre os representantes de Angola, Portugal e Confederação Sul Americana de Futebol.

A mesa de honra foi composta pelas seguintes individualidades:
José de Assis Aragão – Presidente da ANAF – Associação de Árbitros de Futebol do Brasil.
Dr. Edson Rezende – Presidente da Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol.
Coronel. Marco Marinho – Presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol.
Vitor Pereira – Instrutor da FIFA e Membro da Comissão da Arbitragem da UEFA.
Luís Guilherme – Presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol.
Canda da Costa - 2° Vice – Presidente da Associação de Árbitros de Futebol de Angola.
Paulo Paraty – Presidente da Mesa Assembleia da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol.
Sérgio Corrêa da Silva – Presidente do Sindicato de Árbitros de Futebol do Estado de São Paulo.

No congresso foram abordados vários temas dentre eles ressalto os seguintes:

Arbitrar é Pensar.
Atitudes dos Árbitros que interferem na segurança do Jogo.
A Importância do trabalho em equipe.
A Ética na Arbitragem.
O Árbitro moderno e o Fair-Play
A importância da Arbitragem na Sociedade.

Como palestrantes foram convidados alguns membros da mesa de honra e alguns convidados a propósito, como os senhores: Teodoro de Castro Lino - Ex. Arbitro FIFA, Vitor Reis - ex-presidente da APAF, Márcio Rezende, Ex-Árbitro FIFA, Paulo César – Árbitro Brasileiro FIFA, Vitor José do Reis - Árbitro Assistente FIFA.

Arbitragem em Angola tema por mim desenvolvido:
Eis na Integra o meu discurso:

Ilustres membros da mesa de honra,
Caros colegas,
Boa tarde,
Usei a palavra colegas para dar cobro a uma expressão que diz “Uma Vez Árbitro, Sempre Árbitro”.
Antes de tudo em nome do Eng. Severino Cardoso e dos Associados da AAFA, devo expressar os meus agradecimento pelo convite que nos foi formulado, para que fosse possível estarmos presente neste congresso na ânsia de que daqui levaremos valiosos contributos para a nossa jovem Associação,

Para desenvolver o tema Arbitragem em Angola, devo dizer-vos antes que Angola é um País que situa-se na parte austral de África, tendo como fronteira a oeste oceano Atlântico, a norte o Congo Democrático, a leste a Zâmbia e a Sul a Namibia, Angola teve a sua independência de Portugal 1975, entrando depois numa guerra fria que durou cerca de 30 anos, que felizmente terminou em 2001, fruto de um acordo de PAZ feito entre as partes em conflito. Em função desta situação o nosso futebol não teve a regularidade desejada e consequentemente a sua evolução porque as infra-estrutura desportivas foram afectadas, nesta ordem a arbitragem também sofreu. Mais mesmo com o pais em guerra e muito garças as Forças Armadas e a Policia, porque em muitas das províncias estas instituições fomentaram a pratica de futebol criando clubes foi possível praticar o futebol em certas regiões do pais facto que fez com que a arbitragem ainda que timidamente estive presente. O Campeonato Nacional de Futebol da 1ª Divisão chamada de Girabola teve o seu inicio em 1979 ano em que houve também a aderência de vários árbitros angolanos, a Arbitragem Angolana pode-se orgulhar-se de estar a trilhar bons caminhos porque neste momento temos 8 Árbitros e 11 Árbitros Assistentes FIFA, nas qual 3 são mulheres, tendo tido oportunidade de participar em alguns campeonatos de África da nações e em varias partidas sob égide da FIFA e CAF.
Para dizer que a arbitragem em angola não difere da praticada no Brasil ou em Portugal, com um senão é que os meus compatriotas eu os considero heróis do futebol porque auferindo parcos recursos, trabalhando em campos sem a mínima condição de segurança, e trabalhando sem uma cobertura de seguro, arriscando as suas vidas ou dos seus familiares naqueles casos em que quando o jogo na óptica de uma das claques não correu bem porque o culpado foi o árbitro, e fazem de tudo para o molestar. Mesmo assim estão firme e determinado na perspectiva de que novos e bons tempos virão.
Foi com base na melhoria de condições de trabalho proporcionar uma orientação jurídica e não enquanto árbitro que se criou a AAFA na qual sou o 2° Vice Presidente, sendo agora o elo de ligação entre os Associados e a Federação Angolana de Futebol.

Segue abaixo, o resumo da intervenção de alguns palestrantes.

Dr. Édson Resende de Oliveira, presidente da Comissão Brasileira de Arbitragem/CBF:
“Não há mais espaços para curiosos na arbitragem. A cada dia, um número maior de especialistas se faz necessário. É preciso o aperfeiçoamento constante. As críticas que recebemos são generalizadas, mas deveriam ser feitas de forma individual, a fim de não responsabilizar toda uma categoria por erros de uma ou duas pessoas. Tiraram do árbitro a condição de ser humano e, portanto, falível. O árbitro precisa saber usar o meio termo, não sendo nem condescendente em excesso e nem rigoroso ao extremo”.

Coronel. Marcos Marinho, presidente da Comissão Estadual de Arbitragem de São Paulo:
“Como policial, sempre me preocupei com a actuação do árbitro. Nos estádios, acompanhava mais o seu desempenho do que a partida e até mesmo o comportamento da torcida. Por isso, digo com todo o conhecimento: uma boa actuação da arbitragem resulta num trabalho tranquilo para todos e numa partida sem problemas de violência tanto dentro quanto fora do campo e como conselho peço que os árbitros evitem de levar familiares aos estádios, para não dividirem a sua concentração entre o seu trabalho e a segurança da família”.

Márcio Rezende de Freitas, Ex-Árbitro FIFA:
“Os erros que os árbitros cometem hoje são os mesmo erros que no passado eram cometidos por outros árbitros. O que aumentou foi o número de câmaras que ficam de olho na arbitragem, à espera de uma falha. A diferença está na administração: antes, o árbitro administrava paixões, hoje administra negócios”.

Vítor Pereira, membro da Comissão Europeia de Arbitragem/UEFA e Instrutor FIFA:
“Já que a Televisão passou a nos ter como protagonistas, então cabe a nós fazermos com que as câmaras actuem ao nosso lado. O fato de estarmos sendo acompanhados de perto tem de nos fazer trabalhar mais, treinar mais, nos preparar mais em todos os aspectos. Com isso, a televisão irá mostrar nossos acertos, e não os nossos erros, portanto é preciso aperfeiçoarmo-nos cada vez mais para actuar como um verdadeiro profissional os aspectos tácticos e comportamento das equipas devem fazer parte do nosso plano de treinamento físico de mental”.

Luiz Guilherme, presidente da Comissão Portuguesa de Arbitragem:“Em Portugal, adoptamos vídeos como um dos itens do nosso treinamento. Nele, situações reais de jogo – fora de jogos, pénaltis, simulações, bola que cruza ou não a linha do gol, etc. - são analisados e depois exaustivamente treinados e discutidos. Isso faz com que nossos árbitros fiquem mais bem preparados. Acho que o árbitro também precisa estar atento aos factores sociais, pois eles influenciam o comportamento dos adeptos”.

1 comentário:

Alberto Helder disse...

Caro Canda da Costa

Saúdo-o pelo seu excelente blogue e o seu conteúdo.
Se me permite devo dizer que também estive presente no Congresso.
Aquele abraço do
Alberto Helder