terça-feira, 17 de março de 2009

O Dirigismo Desportivo

Um dirigente desportivo deve exercer a sua actividade de corpo e alma, abraçando a função com brio e profissionalismo.

Todo dirigente desportivo deve levar em consideração questões que relacionam o desporto as mais variadas manifestações da sociedade e a importância que ele passa a ter no momento em que mesmo sem ser o causador de alguns movimentos sociais, pode ser o maior incentivador ou divulgador deles.
Numa visão do desporto como meio de educação, desenvolvimento e inclusão social reportar-se a sociologia do desporto, que visa explicar o contexto do desporto com sua estrutura nos diferentes tipos de sociedade, as múltiplas maneiras como o mesmo depende e é influenciado por todos os sistemas de valores de cada cultura e pela realidade sócio-estrutural onde se encontra. Enfim a sociologia do desporto trata da influência do desporto no indivíduo, na família, trabalho, política, sistema educacional e na ordem social em geral.
Assim cabe ao dirigente desportivo onde quer que esteja nunca abandonar o pensamento sobre os princípios do desporto e obedecer sempre aos seus limites éticos. Cabe ao dirigente desportivo se cercar de responsabilidade, pois ele trata com um elemento tão importante que é garantido como direito de todos na declaração universal dos seres humanos e por seu alcance global atrai todos os tipos de interesses.
É um enorme desafio manter essa linha de conduta em um momento em que a especulação do desporto é a tendência cada vez mais crescente já que a indústria do desporto se utiliza do mesmo para seus interesses e para o lucro muitas vezes a qualquer custo. Deve-se entender também que o desporto em tempos actuais passou a ter importante papel na economia global uma vez que os avanços tecnológicos abriram mais espaços para os tempos livres e consequentemente as práticas de actividades desportivas por lazer, assim como desenvolvimento de novos materiais para a prática e com isso estreitamento das relações com as grandes corporações comerciais.
O dirigente desportivo deve entender o fenómeno que tem em mãos para trabalhar e levar para dentro do desporto elementos fundamentais para o seu melhor desenvolvimento, tais como o marketing, planeamento estratégico, gestão de pessoas, gestão de projectos, gestão financeira, isso sempre agregado ao sentido principal do desporto que é satisfazer a pessoa humana. Colocar os elementos da lógica económica a serviço do desporto e manter o mesmo a serviço do homem e nunca inverter esses valores.
Lembrar que nem tudo vale dentro do desporto e isso talvez seja intimamente uma das coisas que façam com que o mesmo desperte tanto interesse no mundo todo. Cabe ao dirigente mostrar a indústria em geral, que aquele que muitas vezes é o melhor caminho na lógica empresarial não é o melhor caminho na lógica desportiva e justamente isso é um dos diferenciais competitivos do desporto. Saber identificar enquanto dirigente de um clube de futebol por exemplo, que a actividade fim deste, e mais importante de todas, é conquistar vitórias nos jogos e não conquistar apenas vitórias financeiras.
O maior desafio ao dirigente desportivo é conseguir manter-se em um mundo desportivo que hoje, é uma indústria que movimenta milhões de dólares anuais, sem deixar de lado o aspecto ético dentro do desporto. O dirigente desportivo defronta-se com situações problemas onde o interesse comercial poderá conflituar com os princípios básicos do desporto ou por vezes com aspectos tradicionais que cercam o desporto, o dirigente deve posicionar-se de forma técnica, racional, de acordo com os fundamentos da gestão, no entanto levando sempre em consideração também as particularidades do desporto a paixão que o envolve e o real objectivo da instituição que dirige no meio desportivo.
O desporto como todas as áreas de actividades do homem está em constante mutação e desenvolvimento, a globalização, a tecnologia são realidades infalíveis, os dirigentes do desporto tem a missão de fazer com que o mesmo sobreviva a essa nova realidade, aproveitando-se de seus benefícios sem perder a sua essência, seus valores e seus princípios, fazendo com que o desporto seja sempre desporto em qualquer lugar, manifestando-se de suas variadas formas, seja para todos, seja para altas competições, daí a necessidade dos planejamento, das políticas públicas para o desporto, o desenvolvimento de suas estruturas físicas, organizacionais e conceituais, esse é o grande desafio do dirigente desportivo actual.

Uma leitura, mesmo que não muito atenta, permite-nos verificar a presença constante de responsáveis políticos como “actores do fenómeno desportivo”. Comentam e opinam. Não só enquanto decisores políticos no âmbito das responsabilidades que lhes são inerentes. Mas como legitimadores ou intervenientes em processos desportivos de âmbito nacional ou local. No limite deste tipo de situações, está mesmo a acumulação simultânea de cargos no exercício de funções públicas com o de dirigente desportivo local ou nacional.

A capacidade mobilizadora de que o desporto é portador, a par da visibilidade pública e mediática que proporciona, tornam este tipo de situação cada vez mais comum e procurada.

A utilização do desporto para objectivos de natureza política é uma situação normal. Os dirigentes políticos não são cidadãos com direitos cívicos limitados. Mas são cidadãos com deveres aumentados. O desporto e a política ao nível do dirigismo têm mais a ganhar do que a perder com uma clara separação de domínios.
Em resumo hoje já não há lugares para amadores ou carolas no desporto, sob pena de estarmos a mutilar uma certa geração.

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